O canto da terra

O “Cante Alentejano” nomeado hoje como património imaterial da humanidade

O “canto alentejano” é um canto da alma de um povo enrraizado à terra que lhe dá o pão e pouco mais.

Hoje em Paris na sede da Unesco o Grupo Coral Etnográfico de Serpa cantou uma moda chamada ”Ai Alentejo, Alentejo”. Neste “cante” um dos versos descreve ou define o “cante alentejano” como um  “canto da terra sagrada do pão”. Num Alentejo em que o camponês durante séculos trabalha a terra do senhor a troco de nada ou de pão, num ambiente feudal e esclavagista laborando de sol a sol (isto é, do nascer ao pôr do sol) nasce este canto da terra exprimindo uma vida dura e árdua. Não é um canto alegre, como muito do nosso folclore; mas um canto de sofrimento que surge como um canto da alma. Contudo é um canto de festa, canta-se tanto nos campos, trabalhando arduamente, como na taberna ou nas festas da aldeia. Este canto é puramente vocal e polifónico, canta-se num coro de 30 pessoas sem qualquer instrumento musical.

É um canto de resistência a uma vida de exploração e um canto de identidade. E o canto da terra hoje é cantado por crianças e adultos fora do contexto rual, pois pertencendo ao cancioneiro de tradição popular oral é passado de geração em geração no ambiente familiar, pois, no Alentejo, toda a gente tem um familiar que em casa canta o “cante”.

Mais do que um canto é um documento histórico e antropológico vivo e, assim é consagrado de modo a ser preservado, estimado e alimentado com a terra árida de onde surgiu.

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Posted on November 27, 2014 .