Renata Pawelec, uma polaca a cantar o Fado

Artista plástica de formação Renata Pawelec  visitou Portugal há três anos por três dias e durante a sua curta estadia deambulou por Alfama onde ficou fascinada pelo Fado vadio que encontrou pelas tascas. Nesse tempo Renata conhecia apenas três palavras: “corazón”, falar e chorar. “coracíon” sabia do espanhol, falar e chorar aprendeu em situações reais nesses três dias.

A conjuntura das três palavras essenciais ao Fado foram pura e rica casualidade.

Após a primeira noite nas tascas de fado, no dia seguinte, o Fado ecoava dentro dela e, e então, ainda em Lisboa, em todo o lado, começou a cantar Fado.

Com as três palavras essenciais e a alma magoada do canto dos fadistas, tinha aprendido a cantar o Fado.

De regresso a Varsóvia, continuou imersa na canção de Lisboa; durante dois anos ouviu e cantou fado em casa e teve aulas de canto. Depois procurou um guitarrista com alma para as melodias latinas e, por casualidade, encontrou um guitarrista profissional. Foi com ele que Renata deu o seu primeiro concerto num café-concerto da sua cidade. Assim, que lhe foi possível mudou-se para Lisboa e Alfama é a sua casa e os fadistas são a sua família. Canta todas as noites na na Tasca do Chico com o sotaque suave que as línguas de leste trazem ao português, mas canta palavras que na sua voz ganham um tom frágil e cristalino. O seu canto é clássico e delicado e na sua interpretação há efemeridade, volatibilidade mas não há  dor. Procura ainda definir melhor a sua identidade de fadista, mas sabe que quer cantar o “fado branco” (palavras suas). Vamos aguardar para ver como será esta recriação luminosa do Fado. Parece que em vez da fatalidade do Destino, no Fado de Renata Pawelec há um tom de finitude.

Apaixonada pelos sons latinos, Renata Pawelec hoje vai cantar no restaurante “Pastel do Fado” perto do Miradouro de Santa Luzia, apresentando temas de fado e Bossa nova.

Às 20h 30


Posted on December 5, 2014 .