O Bairro Português!

O bairro é uma aldeia dentro da cidade, há flores nas varandas e janelas, cheira bem a cozinhados e todos se cumprimentam ou, pelo menos, se conhecem.

Ao domingo de manhã há cheiros e sons especiais no bairro português.

Sente-se o cheiro dos cozinhados nos lares tradicionais, cheiros que evocam a mãe de todos nós sábia nos mistérios da alquimia culinária. Alguns endomingados saem da missa na igreja do largo ou nas caves dos prédios comuns onde se ergueram assembleias  evangélicas, Jeovás ou outras onde famílias felizes cantam; são belos os cânticos, como o som dos sinos ao longe nas igrejas católicas. É um dia que se quer diferente.

No quiosque exibem os jornais diários ricos em suplementos neste dia, muitos passam sem ligar, outros param a ler os títulos, outros compram para ler em casa.

De tarde os velhos encontram-se no jardim para entreter o tédio e falar dos tempos passados, enquanto as crianças andam de skate, saltam à corda, passeiam de bicicleta com uma energia que parece infindável.

As pessoas cruzam-se nos passeios com mais calma do que o habitual, perguntam pela saúde dos vizinhos e conhecidos. Sempre em tom de queixa, de lamento porque o português é assim. E se alguém pergunta: “Como está?” o português responde invariavelmente responde “Vai-se andando...” fugindo à resposta, pois caso contrário responderia “Vou andando”.

O bairro é uma aldeia dentro da cidade, há flores nas varandas e janelas, cheira bem a cozinhados e todos se cumprimentam ou, pelo menos, se conhecem. O coração da cidade de Lisboa é feito desta cumplicidade e o tempo passa devagar enquanto a roupa lavada vai secando no estendal ao sol e ao vento.

Lisboa tem sol, vento, rio e mar e uma população amistosa, é então uma cidade rica, ao contrário do que muitos dizem.

 Alfama é o bairro mais íntimo de Lisboa, onde se pode cumprimentar o vizinho da frente sem sair à rua, pois há becos e travessas muito estreitas.

Posted on September 22, 2014 .