Amanhecer é sempre bom

De manhã passo no jardim, o cheiro fresco da relva cortada. O nevoeiro a formar uma manta sobre o rio esconde a cidade do outro lado. O pão quente a estalar. O carteiro que toca. Tudo são impressões frescas.

O amanhecer é o espanto de uma criança, tudo é novo, a primeira vez que come banana, a primeira vez que ouve chover, o primeiro aniversário.

O Ano Novo é assim, cheio de frescura e cremos que vai ser melhor que o anterior. Por quê? Porque sim. Porque nos enche de esperança. Pode ser apenas uma aritmética do calendário mas inventamos rituais de passagem e isso enche-nos:  saltar de cima de um banco às 0h, deitar fora coisas velhas, lançar fogo de artifício, bater com colheres de pau em tampas de tachos à janela, vestir lingerie azul  para um novo ano celestial.

Somos animais distintos dos outros animais e teatralizamos muito. Afinal é o nascimento de um novo ano. Lembramo-nos de desejar Bom Ano aos familiares, amigos, vizinhos, conhecidos e até aos desconhecidos, como se a nossa onda de bonomia fosse salvar ou abençoar os outros, ou para eles nos retribuírem e assim nos salvarem e abençoarem a nós.

É assim. O nascimento, a manhã, o ano novo, enchem-nos de sensações de novidade e frescura, cenas, rituais, forma de espiritualidade, com ou sem deus.

Posted on January 14, 2015 .