Miguel Real da espiritualidade às religiões

Miguel Real é um filósofo português que estudou as religiões e escreveu um livro interessante em que “deus” surge sempre com letras minúscula e “Presença” com letra maiúscula. O filósofo fala ainda de Vontade para designar fenómenos como as agulhas dos pinheiros crescerem viradas para cima apesar da força da gravidade.

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A ideia interessante de Miguel Real é que a espiritualidade não precisa de deus e muito menos se alimenta das religiões. Deus ou deuses são entidades que se crê que existem povoando o sobrenatural a que não temos acesso. Ter crença nessas entidades não significa que existem religiões (que são organizações como clubes de futebol ou partidos políticos).

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O investigador sustenta ainda que o homem está sempre ligado a uma organização que pode ser, a família, o exército, o grupo de mendigos da rua tal, ou uma religião. Mas a surpresa não fica por aqui. Segundo Miguel Real, para haver espiritualidade não é preciso haver deus, religião ou templo nas suas mais variadas versões; a arte pode ser uma forma de espiritualidade, os outros idem; o sentido de não ser bárbaro e, mesmo sem religião, conviver em sociedade estimando e respeitando o Outro pode ser a grande forma de espiritualidade. Ou seja, parece que a espiritualidade é o que nos distingue das outras espécies. Talvez afinal, o que nos distinga dos outros animais seja o ritual à mesa em vez da devoração do alimento capturado. Já é uma grande coisa. Agradeço a lição de Miguel Real que clarifica certas intuições em pensamentos claros. Afinal é esse o trabalho da filosofia: dar claridade à sombra sem grande tumulto com o silêncio e a calma do pensador.

Posted on February 23, 2015 .