O templo da leitura

Livraria Lello & Irmão no Porto

Cada pessoa tem o seu lugar privilegiado para ler: uma cadeira perto da janela, como Alberto Caeiro que não era uma pessoa, mas uma invenção de Fernando Pessoa; a sombra de uma árvore antiga, daquela árvore que já era grande quando éramos pequenos e continua grande, mais forte e imperturbável enquanto o tempo passa; a esplanada do bairro onde todos nos conhecem mas ninguém nos fala no rumor perdido da cidade. Ou simplesmente há uma situação preferida: o corpo estendido na areia da praia, lugar onde é difícil estar sozinho embora a leitura invoque um momento solitário. Esse lugar pode ser diferente de pessoa para pessoa, mas é o lugar da construção do diálogo  com o livro ou o lugar das ideias que surgem através do livro, lugar de construção que exige sempre o silêncio do respirar.

Quis dizer que o acto de leitura inscreve-se num ritual, como o momento de contar uma história a uma criança antes dela adormecer, ou em sociedades rurais o acto de contar um conto era (e é, onde ainda continua a acontecer) um momento excepcional por excelência, em que os velhos guardiões da sabedoria contam e os novos escutam sem interromper, à noite perto do fogo.

Na livraria Lello & Irmãos ainda se pode sentir a patine do tempo e o cheiro das tintas no papel num enquadramento sublime propício ao acto  de construção de espaços, personagens e ideias que nos habitam por instantes. Sublime o real em que nos perdemos para através das palavras sairmos do real.

É considerada uma das mais belas livrarias do mundo. A revista Times afirma que o autor de Harry Potter se inspirou na ambiência deste espaço envolvente e magnífico.

Posted on February 3, 2015 .