O labirinto dos links

Se procurarmos no Google “laranja” vão aparecer-nos artigos sobre as virtudes da vitamina C (uma vez um médico disse-me que se tratava de uma crença), a laranjeira como espécie botânica, o chá de flor de laranjeira, receitas de bolos de laranja e outras iguarias com o mesmo aroma, enfim, um sem fim de artigos e textos, uma soma de informação multiplicada ao infinito por links que encaminham para outros textos que de novo apresentam links e o jantar ao lume queima-se, os amigos queixam-se que não nos vêem há muito tempo (embora, nossos contemporâneos, também andem presos numa rede de links), os pais choram de saudades (pelo menos os pais portugueses), as crianças gritam para chamar a atenção e nós gritamos com elas para estarem caladas, no trabalho em vez de produzirmos  passam horas enredados nas malhas desta teia perigosa e viciosa.
 

Mas (e há sempre um  mas), depois fazemos ioga, meditação, vamos de carro até ao ginásio onde corremos desesperadamente por meia hora na passadeira rolante ou saltamos no step ou damos uma volta na estúpida da bicicleta que não nos leva a lado nenhum e a seguir ao ginásio vamos a correr de carro para casa, ainda atendemos 10 chamas no telemóvel enquanto conduzimos e depois por fim respiramos ar condicionado ao chegar à casa bem equipada e remodelada, o que é uma sorte pois quer dizer que não se morre de frio em Janeiro nessa casa. Em suma: uma vida perfeita.
De que cor estava o céu nesse dia? E os namorados que se beijavam na rua como pássaros que cantam? E o bater da folhagem das árvores com a aragem? A senhora velhota muito engraçada de tão coquete? E o cheiro de pão fresco à porta da padaria? Os títulos dos jornais nos quiosques que quase já desapareceram todos? Por acaso reparaste que existes?!

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Posted on March 4, 2015 .