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A história do Manjerico.

A história do Manjerico.

folklore, history

Na noite de Santo António há arraiais e e bailes populares em todos os bairros populares antigos que se estendem ao longo do rio. Nesta noite de folia os apaixonados usavam o pequeno vaso de manjerico para declararem o seu amor a alguém. No vaso erguese um pequena bandeira de papel com uma quadra popular e um cravo vermelho de papel. Hoje, tendo-se vulgarizado, pode-se oferecer um vaso de manjerico a um amigo à mãe, à sogra… havendoo quadras alusivas à estima que temos pela pessoa que o vai receber. Sempre com um belo cravo de papel e uma bandeirinha com o poema de amor.

A noite se Santo António é dada a orgias e excessos, dança-se bebe-se até de madrugada. Nas ruas não se pode caminhar tão grande é a afluência de gente e é uma catarse colectiva para curar as dores e o desgaste de uma rotina que muitas vezes esmaga a alegria.

Com muito ou pouco vinho, é a noite em que a euforia e a loucura vão para a rua. É a noite do amor e não é pecado não ir, até porque Santo António, muito apadrinhado pela igreja, assimilou os rituais pagãos da deusa da fertilidade que acontecia no solstício de Verão em tempos remotos em veneração à deusa da fertilidade a quem todos agradeciam a dádiva miraculosa das colheitas.

Prova disso são as sementes colocadas aos pés do santo como nos mostram as réplicas dos altares de Santo António que podemos encontrar na loja “A vida Portuguesa nois anos 50”.

A própria figura do santo faz uma alusão à fertilidade e ao feminino aparecendo sempre representado de saias vom um menino ao colo mostrando uma sobreposição da figura masculina do santo e da figura feminina da deusa da terra como podemos ler na vasta obra do etnólogo Moisés Espírito Santo sobre a religião popular portuguesa.

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