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Baccus e a Festa do Vinho e das Vindimadas in Bucelas.

Baccus e a Festa do Vinho e das Vindimadas in Bucelas.

folklore, history

Anualmente, depois das vinhas vindimadas no surgir do Outono realiza-se na vila de Bucelas um desfile etnográfico que ritualiza essas fainas agrícolas e traz para a rua as modas e costumes dos “saloios” do século passado. Estudos etnográficos indicam que a região “saloia”, área rural a norte e este de Lisboa, foi ocupada no século XIX por uma etnia vinda no norte de África que aí se fixou dedicando-se à agricultura, produziam produtos hortícolas que abasteciam as gente da capital onde a burguesia crescia. São esses os tempos retratados neste desfile enquanto em casa as famílias locais festejam com um prato grastronómico próprio das estações frias, Outono e Inverno, o cozido à portuguesa regado com um bom vinho tinto.

A região vinícola é denominada “capital do Arinto”, um vinho branco muito característico que se destingue pelo toque ácido e que provém das uvas que se colhem no vale da região. Porém nesse dia, em Bucelas, pouco importa, “tanto se bebe branco, como se bebe tinto” todos fazem como o Jacinto! (frase popular: “sou como o Jacinto, tanto bebo branco como tinto.” É lúdico, é popular e tradicional e é um ritual de vida que remete para o ciclo das estações do ano. Baco, o deus devasso do vinho, normalmente garante-nos um bom dia de sol para facilitar as orgias, e o cortejo termina com um piquenique à moda da época, convocando tempos de fome em Portugal em que, contam os mais velhos, uma sardinha era dividida por três pessoas e se lutava para conseguir a cabeça que entretinha mais os prazeres do paladar e dava a ilusão de comer mais nos tempos parcos da ditadura de Salazar.

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