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Herberto Hélder –  morreu O Poeta

Herberto Hélder – morreu O Poeta

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Há muitos poetas. Grandes poetas há poucos.
A perda na verdade não é perda porque ficam as palavras. Mas entre nós fica o luto. Mas também o luto não deve ser luto porque o poeta o quer só entre a família.
Ficamos de fora e resta-nos então perpetuar a seiva que corre na sua poesia. Resta-nos a obra e não é pouco.
Herberto Hélder sempre fechou a porta a mediatismos, recusou o Prémio Pessoa, não dava entrevistas nem se deixava fotografar. Fazia da poesia um ofício bruto deixando correr as palavras do profundo onírico, e trazendo-as quentes e prenhes de lava, de fluidos, de mênstruo. E sobre a morte dizia silêncio.

Herberto Hélder faz da poesia mais que ofício – sacramento, alquimia, quase religião. Por isso arreda todos de si: o irromper da torrente de palavras grita por espaço e tempo e pelo saboroso egoísmo de estar só.
Não se vendeu a racistas, a críticos literários, e não é cânone. As edições dos seus livros são limitadas e encontram-se hoje exemplares raros dos seus livros nos alfarrabistas procurados por coleccionadores.
A sua poesia é arte bruta, lava que explode, prenhe de imagens delirantes e oníricas que fogem a qualquer banalidade, é uma poesia que grita o irracional, o fluxo e refluxo da alma.
É uma poesia inspiradora e fecunda como toda a obra imortal.
Rodrigo Leão compôs, Herberto Hélder diz: A minha cabeça estremece

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